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RMC tem saldo positivo de 64,7 mil novos empregos em 2021

 


Contratações superaram as demissões no ano passado, de acordo com Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. Economista diz que esse resultado foi um sinal de recuperação da indústria, comércio e serviços, em comparação a 2020, ano de restrições severas para o enfrentamento da pandemia por covid-19

Apesar da boa notícia sobre o início da recuperação econômica, muitos trabalhadores ainda buscam a recolocação profissional nas agências de empregos da região.

Os 20 municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC) fecharam o ano passado com saldo positivo de 64.703 novos empregos, que correspondem à diferença entre as contratações e demissões realizadas ao longo de 12 meses. Houve 496.486 contratações na região contra 431.783 demissões. A boa notícia provém dos dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Em Campinas, a geração de novos empregos em 2021 superou em 22.365 o número de demissões. Em seguida, Indaiatuba teve o melhor desempenho, com a criação de 7.009 contratações a mais do que as dispensas realizadas. O levantamento também aponta saldo positivo de 6.427 novos empregos em Americana e de 3.604 contratações em Sumaré, no ano passado.

Para Eliane Navarro Rosandiski, economista e professora do Observatório de Economia da PUC-Campinas, o saldo positivo de empregos em 2021 demonstrado no levantamento do Caged foi um sinal de recuperação da indústria, comércio e serviços, em comparação a 2020, ano de restrições severas para o enfrentamento da pandemia por covid-19.

Na Região Metropolitana de Campinas, a recomposição do emprego no mercado formal de trabalho no ano passado teve como característica a seleção de trabalhadores mais jovens e de trabalhadores com níveis de escolaridade compatível como o ensino médio.

O padrão de contratação na RMC privilegiou os jovens com idade entre 18 e 24 anos. No ano passado, 54% dos contratados estavam nessa faixa etária.

As atividades do setor de serviços foram responsáveis pela geração de 48% dos empregos, com destaque para as oportunidades geradas nas atividades de informação, comunicação e financeiras, com um total de 18,3 mil vagas. O segundo destaque em novas contratações foi o setor industrial, com a geração de 13.163 novos contratos, ou seja, 20% do saldo gerado. Também as atividades de comércio se destacaram com a geração de 12.675 vagas. A construção civil criou 11% dos empregos.

"As atividades mais dinâmicas de indústria, serviços de TI e de atenção à saúde se adequaram ao movimento de distanciamento social imposto pela pandemia, que alterou a forma de organização do trabalho em home office e e-commerce", explicou.

Em dezembro, mais demissões

Por outro lado, se avaliado apenas o mês de dezembro, as estatísticas mostraram que as demissões na Região Metropolitana de Campinas superaram o volume de contratações, resultando em um saldo negativo de 7.360 postos de trabalho. Foram demitidas 39.806 pessoas — número superior às 32.446 admitidas em dezembro.

Em termos absolutos, o município de Campinas apresentou a maior redução de postos (-1.887). Paulínia, 972, enquanto Sumaré perdeu 963 vagas.

O saldo negativo de 7.603 vagas na RMC em dezembro representou 23% de todo o emprego gerado em Sumaré entre janeiro e novembro de 2021. Equivale também a 21% dos empregos gerados em Paulínia no mesmo período de 11 meses do ano passado.

O processo de desligamento em dezembro foi maior nas atividades industriais, que representaram 29% das demissões. Já os serviços de educação tiveram 28% dos desligamentos, seguidos pelas atividades administrativas (16%) e pelos serviços de informação, comunicação e atividades financeiras (14%).

Os dados de escolaridade revelam que as demissões em dezembro ocorreram, em sua maioria, entre aqueles formados no ensino médio, pois 72% dos trabalhadores tinham esse nível de escolaridade e apenas 9% dos empregados tinham superior completo.

Cenário de incertezas em 2022

Por isso, apesar da recuperação dos empregos ocorrida durante 2021, o resultado negativo de dezembro leva especialistas a se preocuparem com o cenário econômico de 2022. Os dados do Caged do último mês do ano passado confirmam as projeções do Banco Central de um cenário de incertezas e desemprego na economia do País e da RMC em 2022.

Isso foi reforçado também no informativo mensal de Mercado de Trabalho na RMC, elaborado pelo Observatório de Economia da Pontifícia Universidade Católica de Capinas (PUC-Campinas).

"O nível de empregos em 2021 foi positivo, mas as demissões ocorridas em dezembro deixam um ponto de interrogação sobre o futuro da economia em 2022", afirmou Eliane Navarro Rosandiski. "Os índices de baixas no último mês do ano foram muito acima do esperado, puxado pelos setores da indústria, serviços de tecnologia, da informática e educação."

Um exemplo desse cenário é Paulo Henrique de Oliveira, de 25 anos, que buscava contrato em carteira em Campinas no ano passado. "O que consegui foi atuar por alguns meses como vendedor em uma barraca de frutas, mas não houve registro em carteira e o proprietário fechou o comércio em dezembro. Fui demitido. Por isso, busco oportunidade de emprego na área de vendas desde o início deste ano", afirmou Paulo Henrique.

Esses índices de demissões acima da normalidade no final do ano projetam um cenário de preocupação com relação ao desempenho da economia em 2022, principalmente quando somados às projeções de crescimento anual de apenas 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) e de inflação no patamar de 5,3% em 2022 (dados do Boletim Focus do Banco Central), além da falta de controle nos preços de mercadorias, combustíveis e energia. O Boletim Focus reúne a estimativa de mais de 100 instituições do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos.

"O cenário é de incertezas porque não há uma política macroeconômica para o controle da inflação e para evitar altas dos preços de mercadorias e produtos agropecuários, além dos aumentos nos preços da energia, gás e combustíveis", destacou a professora Eliane Navarro Rosandiski. Além disso, ela comenta que o apoio social para famílias vulneráveis e para a massa de desempregados é insuficiente para gerar consumo. "Não há perspectivas animadoras neste ano de eleições, fatos que inibem as contratações", disse.

Reflexos

A economista da PUC-Campinas explicou que as demissões na indústria causam reflexos em outras áreas da economia. "Com a redução das contratações na indústria, o desemprego poderá impactar negativamente a cadeia econômica, formada pelos outros segmentos. A indústria faz a economia pulsar", afirmou Eliane. Na opinião da economista, falta uma sinalização de como vai ser conduzida a política macroeconômica para geração de renda.

Segundo ela, os dados de mercado de trabalho disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, além da população de 12,4 milhões de desempregados no Brasil, existe ainda muita informalidade. "Apesar das estatísticas sinalizarem para uma redução do desalento e da recomposição da ocupação, a taxa de crescimento do emprego formal ainda está menor do que o crescimento da ocupação informal", comentou. "O crescimento das ocupações foi mais intenso no emprego doméstico e nos empregados sem carteira.

Em função dessa baixa qualidade do emprego gerado, dados gerais apontam para queda de 4,5% do valor das remunerações", afirmou.

A economista lembrou que, apenas no final do ano, com a flexibilização das medidas de distanciamento, comércio e atividades de alojamento e alimentação passaram a recontratar.

Para Eliane, o crescimento da taxa de informalidade, a queda nas remunerações, o processo inflacionário, a expectativa de alta na taxa de juros e a desorganização das cadeias globais de produção colocam em xeque a confiança dos empregadores quanto à potência da demanda doméstica na sustentação do crescimento econômico.

A economista destaca que o setor empresarial aguarda a criação de políticas econômicas que possibilitem o surgimento de vetores de desenvolvimento regionais ou de uma estratégia macroeconômica de recuperação da atividade. Esperam também que haja um controle inflacionário e a adoção de políticas de suporte à manutenção do emprego e da renda.

"Esse cenário de instabilidade das expectativas faz com que organismos internacionais e nacionais projetem a estagnação do PIB brasileiro", comentou Eliane Navarro Rosandiski, do Observatório de Economia da PUC-Campinas.


Fonte: CP

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