Header Ads

Mortes de gatos e saruês a dentadas revoltam ativistas

 


Suspeita é a de que os animais foram vítimas de cães incitados por grupos de criadores

Visitas noturnas misteriosas de cães no Cemitério da Saudade, em Campinas, já causaram nos últimos dois meses a morte de 18 gatos e 11 saruês (espécie de gambá, principal predador de escorpiões e baratas). Não existe ainda a confirmação do que está de fato acontecendo, mas grupos protetores de animais suspeitam que seja uma prática de treinamento de caça para cães, um costume de criadores que usam a população de gatos e gambás do cemitério para garantir aos seus cães que "exercitem" o instinto selvagem e, ao mesmo tempo, tenham a oportunidade de uma "brincadeira sem graça" para aqueles que são contra a violência animal.

As mortes dos animais foram comprovadas por laudos de veterinários, que constaram marcas de mordidas nas vítimas. A fim de conter essas visitas misteriosas e descobrir a origem dos ataques noturnos, a Associação Amigos dos Animais de Campinas; o Conselho Municipal de Proteção Animal e o Núcleo de Voluntários de Proteção aos Animais do Cemitério da Saudade vão se reunir hoje, quartafeira, com o presidente da Serviços Técnicos Gerais (Setec), André Assad Mello.

Flávio Lamas, que preside a Associação Amigos dos Animais de Campinas e é conselheiro municipal de proteção animal, disse que algumas propostas serão apresentadas à presidência da Setec, com o objetivo de criar ações efetivas junto ao Poder Público, de modo a impedir a prática contra os gatos e saruês.

"Pelas denúncias e registros recebidos, não foi identificado que seja uma ação de matança dos animais. Parece ser uma tradição de grupos de criadores que gostam de ver os cães caçando e matando gatos e outros animais", disse.

Ele complementou mencionando que há dois anos foi identificada a mesma prática no cemitério, que acabou sendo encerrada com ajuda da própria Setec. Agora, acredita Lamas, outros grupos estão retomado o costume.

O conselheiro destacou ainda que a ideia é fazer o bloqueio de buracos nos muros do cemitério e vedar outras entradas alternativas que estão servindo como acesso aos cães no período noturno. "Também é interessante instalar câmeras de monitoramento, que ajudarão ainda em relação aos furtos de cobre e placas dos túmulos. A Setec parece estar disposta a colaborar", comentou.

Lamas, reforça que o trabalho de vigilância deve ser mais efetivo, ajudando na identificação das entradas dos cachorros. “Uma parceria com as equipes de ronda noturna da Guarda Municipal para dar apoio em algumas situações será muito útil", argumentou.

População no local

O levantamento feito pelo Núcleo de Voluntários de Proteção Animal do Cemitério da Saudade indicou que existem 200 gatos no cemitério e que há um controle dessa população. "Há um trabalho de castração dos animais, além de adoção de medidas sanitárias e aplicação de vermífugos para evitar doenças entre eles e o aumento da população de felinos", comentou o ativista de proteção animal. "Essa ação é realizada pelo Núcleo de Voluntários, que são autorizados, inclusive pela Setec, a levar rações e água aos felinos", observou Lamas.

Ele destacou ainda que a população de gatos no cemitério está controlada e não há risco algum de doenças para os visitantes que vão ao cemitério. "Não há motivos para essa prática de soltar cães para caçarem os gatos no período noturno. Isso é criminoso. Uma violência contra os gatos e saruês, animais importantes também para controlar no cemitério a população de escorpiões e baratas, pois os saruês são os maiores predadores dessas espécies", lembrou.

Setec

A Setec, por meio de nota, explicou que: "Esse problema realmente foi detectado há alguns dias, o que causou grande preocupação por parte da administração da autarquia. Algumas ações já foram tomadas, como a varredura em todo perímetro do Cemitério da Saudade para identificar e bloquear possíveis passagens por onde podem estar entrando os cachorros, uma vez que as autópsias feitas em um gato e um saruê constataram que a causa da morte foi por mordida de algum animal".

A Setec reforçou que, na reunião marcada para hoje, serão estudadas novas ações que venham a contribuir para a solução do problema. A nota finaliza: "O objetivo é o de levantar as sugestões e solicitações para que a Setec tome providências necessárias, tanto pela autarquia como pelas parcerias".

O que é um saruê?

O gambá saruê é um dos nomes dados ao gambá (Didelphis aurita) no Brasil. Este animal é da família dos marsupiais, não é domesticável e pode morder, caso se sinta ameaçado. Uma das principais características da espécie é a presença de uma glândula na região do ânus que libera um odor fétido, bastante desagradável, quando se sente ameaçado. O saruê não é considerado um animal perigoso, mas pode transmitir várias zoonoses para o ser humano, quando ambos compartilham o mesmo habitat, como a leptospirose, por exemplo.

Os saruês são os maiores predadores de escorpiões e baratas e têm hábitos noturnos. Eles se alimentam também de frutas, raízes, vermes, larvas, insetos, lagartos, serpentes, anfíbios, aves e pequeno mamíferos, como ratos. Além disso, são conhecidos por seu apreço por sangue, que costumam sugar de suas vítimas. Podem ser encontrados em praticamente todo o país, seja nas florestas ou nos centros urbanos. É presença comum em porões, forros e sótãos das casas.


Fonte CP

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.