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Saúde investiga morte de casal por maculosa

Os trabalhadores rurais José Ronaldo da Silva, de 24 anos, e Maria Martina, de 21, ficaram internados poucas horas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HC
Um casal de Holambra morreu no sábado (10) sob forte suspeita de febre maculosa, transmitida por carrapatos infectados, segundo divulgou nesta terça (13) o Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O laudo que comprovará a causa deverá ser concluído em até 20 dias pelo Instituto Adolfo Lutz. Os trabalhadores rurais José Ronaldo da Silva, de 24 anos, e Maria Martina, de 21, ficaram internados poucas horas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HC, e não reagiram a um quadro em estado avançado. Deixaram três filhos, sendo uma bebê de cinco meses, uma menina de dois anos e um garoto de quatro anos. Eles moravam no bairro Imigrantes.

Com muita febre, fraqueza, vômito e outros sintomas da doença, o casal estava sendo tratado pelos médicos da Policlínica de Holambra com um quadro de dengue. A morte do casal chocou a cidade, uma vez em que quando a família velava o corpo do rapaz, teve-se a notícia de que a esposa também não havia resistido. Foram enterrados com poucas horas de diferença.

José Ronaldo foi o primeiro a apresentar muita febre, na segunda-feira, dia 5. Ele realizou pescaria no segundo dia do ano com um cunhado e um tio da sua esposa, em uma lagoa conhecida como Lago do Holandês, no Centro de Holambra, disseram os parentes. "Ele chegou em casa e retirou um carrapato. Passou dois dias começou a ter muita febre" , relatou o cunhado Genilson Marques, de 31 anos. Os familiares afirmam que José Roberto relatou ao médico que havia tirado um carrapato de seu corpo após pescaria. "Mas disseram que o quadro era de dengue e que dengue se trata em casa. Deram medicamento sem saber o que ele tinha e a noite ele ardia em febre. Não fizeram exame para saber o que era" , disse o irmão Rangel da Silva, de 26 anos.

No dia seguinte, José Ronaldo realizou exame de sangue, mas a diretoria de Saúde ainda não informou o resultado. O trabalhador rural continuou com quadro de febre aguda e novamente foi à Policlínica, e atendido por um médico diferente do dia anterior, segundo consta no atestado que o afastou por dois dias do trabalho.

A esposa, Maria Martina, começou a sentir os primeiros sintomas na noite de terça-feira, e na quarta ambos estavam com manchas vermelhas pelo corpo e febre atingindo 41 graus. Como estava recebendo leite materno, a bebê de cinco meses precisou passar dois dias em observação no HC após a morte da mãe, mas já foi liberada. Há a suspeita de que José Roberto carregava mais carrapatos e um desses infectado a esposa.

"A Marta ficou com o pescoço todo vermelho, os olhos saltados e manchas nos seios e pernas. Davam paracetamol, soro na veia, mas ela não melhorava" , relatou a amiga de Marta, Jaclésia Ferreira da Silva, de 29 anos. Na quinta-feira o casal procurou por duas ocasiões o PS Central, e na segunda José Roberto desmaiou na unidade, relataram os parentes. Foi então que uma ambulância levou o casal para a Unicamp. Ele foi internado pela manhã diretamente na UTI, mas faleceu na sexta por volta do meio-dia. E ela morreu na noite de sexta-feira.

"Meu filho nunca tinha adoecido na vida a não ser uma gripe. Chegamos de Alagoas e não conseguimos ver ele vivo" , emocionou o pai de José Roberto, o aposentado José Francisco Sena da Silva, de 62 anos. A mãe Marisa Maria da Silva, de 52 anos, não descarta negligência médica e adiantou que levará a neta mais nova para Alagoas. "A família não quer mais ficar nesse lugar" .

Após a morte do casal, a amiga Jaclésia relatou que a funcionários da Saúde estiveram no bairro e distribuíram remédios a parentes e vizinhos mais próximos do casal, mas não soube informar para o que servia. Questionada, a Prefeitura não relatou de qual medicamento se tratava.

POSIÇÕES

A assessoria de imprensa do HC informou que há forte indicativo de que o casal tenha morrido em decorrência de febre maculosa. Já o departamento de Saúde de Holambra garantiu que "o paciente recebeu atendimento e toda a assistência compatível com as especificidades do seu caso" .

Ainda segundo informação do departamento, não há, no prontuário de atendimento do paciente, qualquer menção ou relato a respeito de contato com carrapatos, e que "exames de sangue foram feitos regularmente, de acordo com o procedimento padrão de atendimento, já no dia 6 de janeiro" .

O departamento não informou qual o resultado dos exames de sangue do casal e tampouco a lista de medicamentos aplicados no casal, ou quantos médicos diferentes realizaram o atendimento ao longo da semana passada, conforme questionado através de e-mail. Também não informou quando foi o último caso de maculosa em Holambra.

"É importante ressaltar que não há, até o momento, confirmação da causa da morte dos pacientes. O departamento segue aguardando a divulgação do laudo da Unicamp" , finalizou a nota.


Fonte : CP

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