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MPT investiga mortes de 4 operários em obras da região de Campinas, SP


Nesta quinta, trabalhador morreu após ser atingido por uma viga de madeira.
Em 2013, foram registradas 6 vítimas fatais de acidente na construção.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu nesta quinta-feira (14) investigação para apurar eventual negligência nos casos da morte de quatro trabalhadores da construção civil em obras de Campinas (SP), Hortolândia (SP) e Americana (SP) no período de dez dias. Em 2012 inteiro, foram registradas quatro mortes no setor, segundo dados do sindicato da categoria. O valor registrado em 2013 já chegou a seis vítimas fatais.
O último caso ocorreu na manhã desta quinta-feira (14), quando o operário Juvêncio Antônio de Souza morreu após ser atingido por uma viga de madeira na cabeça em um canteiro de obras, na Avenida Abolição, no bairro Ponte Preta, em Campinas (SP). Segundo o sindicato da categoria, este era o primeiro dia de trabalho dele e, embora ele usasse equipamentos individuais de proteção, faltava na obras aparelhos de proteção coletiva.
A assessoria de imprensa do MPT informou que o órgão solicitou o relatório fiscal feito pelos auditores do Ministério do Trabalho e Emprego que compareceram às obras para fiscalizar o cumprimento das normas trabalhistas. Segundo a assessoria, o processo ainda está em fase inicial de investigação e a intenção é “apurar se houve negligência das empresas nos acidentes fatais, o que as levaria a arcar com uma série de sanções”.
Os casos
No caso do acidente fatal desta quinta, o sindicato informou que o operário exercia a função de encarregado. Segundo os representantes dos trabalhadores, a falta do instrumento de proteção coletiva permitiu que a madeira que se desprendeu do 14º andar do prédio atingisse o homem. A vítima estava no térreo. Os outros trabalhadores que estavam no local foram dispensados e autorizados a voltarem para casa. A vítima será velada na cidade de Inúbia Paulista assim que for liberado.
O diretor da construtora Norpal, Norberto Paller, responsável pela obra, informou que uma investigação interna foi aberta e que a empresa aguarda o resultado da perícia da Polícia Civil. Ele afirmou ainda que a construtora trabalha com todos os equipamentos de segurança e que está dando todo o apoio necessário à família do operário.
Outros acidentes fatais
No dia 5 de março, um operário da construção civil morreu após cair do 9º andar de um prédio no bairro São Luiz, em Hortolândia (SP). Segundo a polícia, a vítima se chocou contra uma barreira de contenção próxima ao 2º andar do edifício. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o trabalhador não estava com equipamento de segurança. O sindicato que representa a categoria havia feito denúncias sobre os problemas na obra em 2012.
Já em 6 de março, um marceneiro de 25 anos também morreu depois de cair do nono andar de um prédio em construção no bairro Cambuí, em Campinas. Edson Pereira de Jesus chegou a ser socorrido pelo Samu, mas morreu no local após a queda. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, quando as viaturas chegaram no local o trabalhador já estava morto.
Um outro caso de morte foi registrado em Americana (SP) na sexta-feira (8). Um operário de 61 anos não resistiu aos ferimentos após um muro cair sobre ele em uma obra no Centro da cidade. Outros dois funcionários trabalhavam na construção no momento do desabamento, mas não sofreram ferimentos.
11 auditores para 34 cidades
A região de Campinas sofre com a falta de funcionários e de infraestrutura para fiscalização em canteiros de obras. Somente 11 auditores da ativa na Gerência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) trabalham em 34 cidades. No total, seriam 30 funcionários, mas 19 não estão à disposição para fiscalizações.
Cinco trabalham internamente. Cinco estão em Brasília na Superintendência. Dois estão em licença médica e quatro pediram aposentadoria. Três foram cedidos para fiscalização rural em conjunto com órgãos estaduais. O correto é a região ter 80 auditores, segundo a regional. “Isso é uma situação caótica, não tem condição de atender a demanda”, diz o gerente regional do MTE, Sebastião Jesus da Silva.

 

Fonte :  G1

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