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Justiça determina internação de jovem de Campinas viciada em crack


Segundo advogado da família, mulher é viciada desde os 15 anos. Prefeitura afirma que paciente não frequentava tratamento no Caps.

Uma jovem de 21 anos, viciada em crack desde os 15 anos, foi internada de forma compulsória na noite de terça-feira (19) no Serviço de Saúde Doutor Cândido Ferreira, em Campinas (SP), após sentença do juiz Wagner Roby Gídaro, da 2ª Vara da Fazenda Pública. O pedido da internação foi feito pela mãe da paciente. "Tive que pedir porque os hospitais sempre alegam que não há vagas", afirmou a vendedora Maria Aparecida Neris.

Ela foi encontrada na noite de terça-feira na região do Terminal Central, ponto conhecido de usuários de crack na cidade. "Ela estava na calçada, suja, vestida com roupas não adequadas. É muito sofrimento. Estou acabada", descreve a vendedora. A apreensão foi feita com ajuda da Guarda Municipal.

“O estado de saúde da jovem foi se deteriorando dia após dia, desde os 15 anos, sendo que fugia de casa por muito tempo, ocasionando muito desespero à sua mãe ao longo dos anos”, explica o advogado que representa a mãe, Ricardo de Lemos Rachman.
O defensor afirma que muitas vezes a jovem estava doente ou ferida quando retornava para a casa da mãe após dias nas ruas.  “Quando voltava, estava muitas vezes ferida, ou com alguma doença. Ela chegou a ser internada por pneumonia grave por má alimentação e agressão ao organismo, sendo que a obtenção da internação compulsória começou a se tornar cada vez mais imperiosa, pois a vida da jovem estava sendo constantemente ameaçada”, relata o advogado.

A psiquiatra do Apoio Técnico da Diretoria de Saúde de Campinas Sara Maria Teixeira Sgobin lembra que a jovem já vinha sendo procurada pelo serviço municipal, pois faltava com frequência ao tratamento no Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Segundo a médica, não é a primeira vez que um dependente químico é internado após determinação da Justiça na cidade. “Ela estava desaparecida e nestes casos fazemos várias buscas ativas. Não somos contra a internação compulsória, mas esse não é o único recurso”, atesta a psiquiatra.

Sara ressalta que a Saúde não é única área que deve atuar em relação à epidemia de crack. A rede de assistência social e a segurança pública também devem ser acionadas, na opinião da especialista. Em relação à jovem internada, ela receberá atendimento médico, psicológico e dos terapeutas ocupacionais, além dos profissionais que participavam do tratamento dela no Caps. Ela só poderá deixar o Cândido Ferreira após um diagnóstico médico atestar e a Justiça concordar com a avaliação dos médicos do hospital.

Leitos

A rede municipal de saúde em Campinas disponibiliza 96 leitos para internação de dependentes químicos. São 56 nos Caps, 20 no Complexo do Hospital Ouro Verde e 20 no Serviço Cândido Ferreira.


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