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Internações de queimados com álcool aumentam 82,3% na quarentena em Campinas


Dados são do Centro de Tratamento de Queimados da metrópole, que tem cerca de 50% dos pacientes vindos de outras cidades do interior do estado. Idosos passaram a fazer mais parte do perfil de vítimas.


O número de pessoas que se queimaram com álcool na quarentena contra o novo coronavírus e precisaram ser internadas em Campinas (SP) aumentou 82,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Dados do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) apontam 31 internações entre março e junho, contra 17 em 2019.

O levantamento feito mostra maio e março como os meses com mais vítimas de queimaduras com álcool líquido ou em gel este ano. Apesar de ser menos perigoso, o gel também é protagonista de explosões, segundo o coordenador do CTQ e médico cirurgião plástico Flávio Nadruz Novaes.

"As pessoas acham que a forma gel não é perigosa, que não explode. Explode menos que o líquido, mas explode, quando chega com o frasco perto do fogo. Há uma necessidade por conta da Covid, mas as pessoas começaram a ficar mais em casa, usar mais o álcool no lugar de lavar as mãos.", alerta o especialista.
A maior parte dos pacientes tem mais de 40% do corpo queimado, segundo Nadruz. Nos casos de 80%, 90% do corpo queimado, a sobrevivência é difícil.

"O álcool 70% é perigoso, é semelhante ao combustível.Nós perdemos um tanto da nossa renda na quarentena, dificulta o cotidiano. Em algumas situações, as pessoas improvisam álcool pra cozinhar no lugar do gás. O álcool tem uma chama praticamente invisível. Tivemos casos de pessoas que colocam álcool pra aquecer uma comida, às vezes reabastecem o recipiente e têm uma tragédia".

O CTQ tem 12 leitos, sendo 10 do Sistema Único de Saúde (SUS) e dois para convênio médico. A unidade fica na Santa Casa de Campinas, e existe há quatro anos. Em média, um paciente fica ao menos 30 dias ocupando as vagas, mas há casos de alta complexidade que chegam a levar 90 dias até a alta médica.

O número total de internações não teve grande alteração no período analisado. Foram 52 em 2019, contra 59 este ano. No entanto, houve um aumento significativo do número de queimados com álcool frente a outras causas.

Em 2019, o percentual de feridos com álcool foi de 32,69% entre março e junho. Já este ano, subiu para 52,54% no período.

Taxa de ocupação acima de 90%


No período da pandemia de Covid-19, a taxa de ocupação tem ficado em torno de 90% - e acima de 90% se considerar somente as vagas da rede pública. Antes, ela permanecia entre 70% e 75%, informou Nadruz.

"A gente vinha tendo essa manutenção razoável, mas agora chegamos a 90%. É 90% num mês. Só SUS é mais de 90%.Houve aumento significativo do custo na quarentena, houve aumento na complexidade dos casos", explica.

Os leitos SUS são 100% custeados pela prefeitura. A regulação é feita pela Central de Vagas da cidade, mas é comum o recebimento de pacientes de outros municípios do interior do estado, já que a estrutura no CTQ é para casos de média e alta complexidade. Cerca de 50% dos atendidos são de fora da metrópole.

Entre os 12 leitos, dois são Unidades de Terapia Intensiva (UTI) permanentes, mas todos os demais dez - de média complexidade - também são estruturados para virar uma UTI quando preciso. Apesar da alta ocupação, o coordenador afirma que não foi necessário um aumento na capacidade, mas ressaltou que há possibilidade de estender para até 19 leitos no espaço.

A unidade tem um centro cirúrgico próprio, e são realizados de 20 a 25 procedimentos por mês. Cada paciente de alta complexidade faz três ou quatro cirurgias.

Mais idosos entre os queimados


O médico afirma que, com o isolamento domiciliar, o perfil de pessoas que se queimam com álcool se alterou. Pessoas acima de 60 anos começaram a apresentar mais queimaduras importantes. Antes da quarentena, a média dos casos ficava entre adultos, de 20 a 50 anos.

"Maioria de adultos, que trabalham em casa, acendem churrasqueira. A mudança foi um aumento no numero de idosos, pelo trabalho doméstico, está todo mundo em casa por conta do isolamento."

Os principais causadores de queimaduras segundo o CTQ são:


1. Álcool líquido ou em gel

2. Líquidos quentes

3. Por eletricidade

4. Por produtos químicos

"Tem histórico de pessoas que passam álcool na mão e perto do fogo, limpam fogão com fogo aceso. Tem muitas ocorrências que passaram a acontecer por conta da preocupação, versus a liberação [da Anvisa]", ressalta o médico.
Em março, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma permissão para fabricação e venda de álcool em gel e álcool etílico a 70%, por exemplo.A medida foi tomada para aumentar as medidas de prevenção contra a Covid-19, e é válida por seis meses.

Fonte: G1

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