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Dez anos após ter Monza 89 furtado, dono reencontra veículo em Franca: 'Valor inestimável'

Carro foi descoberto após ser reprovado em vistoria do Detran com nova dona. Suspeito foi identificado uma década após o crime e pode pegar até 4 anos de prisão.
Dez anos após ter o Monza 89 furtado no Centro de Franca (SP), o metalúrgico Edson Balbino dos Santos recebeu da polícia uma notícia que parecia improvável. O carro foi localizado na mesma cidade e em bom estado de conservação, ainda com caprichos deixados pelo verdadeiro dono uma década atrás. Para Santos, a surpresa de recuperar o veículo supera qualquer presente de fim de ano.
“Muitas pessoas não vão dar o valor que você dá. Pra mim, tem um valor inestimável”, diz.
A Polícia Civil reabriu o inquérito e um suspeito do crime foi identificado.Furto no Centro
Em 2000, o metalúrgico comprou o carro de um vizinho por R$ 5,7 mil. O Chevrolet era o sonho da vida de Santos, que chegou a pegar dinheiro emprestado com a mãe para quitar o veículo.
O automóvel foi o companheiro de várias pescarias e viagens até o Sul do Brasil, onde mora a família da mulher dele. Sete anos depois, numa ida ao Centro de Franca para comprar uma carteira com o irmão, o veículo foi furtado. “Deixamos o carro estacionado. Quando a gente voltou [da loja], já não estava lá mais”, lembra.
O metalúrgico afirma que registrou um boletim de ocorrência na época e por seis meses manteve viva a esperança de recuperar o veículo. No entanto, viu as chances diminuírem com o tempo.“Dava até um mal estar. Lá na minha casa, do jeito que a gente senta no sofá, a gente vê o carro do lado. Eu via a casa vazia e ficava difícil. Eu tinha um cuidado com ele, não deixava nada faltar. Quando me levaram o carro, eu tinha feito a suspensão inteira e comprado quatro pneus, tudo zero.”
Segundo Santos, outros carros vieram, mas ele sempre guardou uma única recordação do Monza 89 – uma foto tirada quando o veículo era seu companheiro fiel.
“Foi um carrão. Na época, eu tive R$ 8 mil nele e não vendi. Se você chegasse com um carro zero, eu não queria. Durante muito tempo eu só fiquei namorando a foto dele. Ele era de estimação, bem cuidado.”A descoberta do passado
Há dois anos, a pespontadeira Tatiane Ferreira Falcucci e o marido compraram um Monza de outro morador em Franca, mas o casal não se preocupou em cuidar da documentação. Neste mês, após procurar o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) para providenciar a transferência, foi surpreendido com a descoberta de que o veículo havia sido furtado há dez anos.
“Ele [carro] tinha dado um problema antes no motor. Quando isso foi regularizado, a gente voltou pra vistoria e tinha que fazer uma perícia mais detalhada. Foi nessa perícia que descobriram.”Tatiane afirma que não esperava passar por essa situação. Ela chegou a procurar o vendedor do carro na época, mas, segundo ela, foi avisada de que ele não poderia ressarci-la.
Após o caso ser encaminhado à Polícia Civil, o carro passou por perícia no Instituto Criminalístico, onde foi constatado que o motor era incompatível com o chassi.
“Foi daí que partimos para a investigação. Conseguimos levantar no sistema o nome da vítima, pesquisamos o nome da vítima nos outros registros e conseguimos localizar o endereço e o telefone. Chamamos a vítima aqui e ela veio reconhecer o carro e confirmar que estava mesmo em furto desde 2007”, diz o investigador Reginaldo Cabral Calil.O retorno do Monza
Ao receber a intimação da polícia com data e hora para comparecer ao 5º Distrito Policial, Santos não desconfiou de nada. Só depois de ser levado ao pátio e de ver o carro com os próprios olhos é que o metalúrgico se deu conta do assunto inesperado que ele deveria tratar com a polícia.
“Eu fui lá e constatei. É meu mesmo. Tudo certinho, os detalhes que tinha.”
De acordo com o investigador, a parte mais intrigante do caso é que o Monza chegou a passar por três vistorias e duas transferências antes de ser descoberto. O veículo recebeu uma placa fria e rodou pelas ruas com outros donos durante uma década, sem ser apreendido."Nós vamos apurar no inquérito como foi que passou essas duas transferências por vistoria do Detran", diz.
Segundo Calil, o suspeito de ter furtado o veículo foi identificado e deverá, finalmente, ser indiciado. Se condenado, ele poderá pegar até quatro anos de prisão.Para a pespontadeira que ficou sem o carro, a notícia de que o veículo voltou às mãos do dono, ajuda a consolar o prejuízo.
“Eu fiquei feliz pela pessoa que recuperou. Acho que nem ele estava esperando mais. Eu nunca tive nada roubado assim, mas acredito que deva ser muito triste a sensação de você sair e seu bem não estar lá.”
O metalúrgico que já deu um trato no antigo companheiro só pensa em matar a saudade, mas admite que pretende passar o veículo adiante. De preferência a alguém que, assim como ele, tenha paixão pelo modelo.
“Eu vou vender pra quem quer cuidar. Tem muitas pessoas que gostam como eu e queriam ter um Monza. Ele é confortável, gostoso de andar e eu adorava o bichinho.”

Fonte G1

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