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Polícia de Campinas vai indiciar os 102 detidos em ocupação na Câmara

Para delegado, todos respondem por dano, resistência e desobediência.
Grupo ocupou plenário em agosto, mas nega qualquer crime durante ação.

A Polícia Civil de Campinas (SP) decidiu indiciar pelos crimes de dano ao patrimônio público, desobediência e resistência todos os 102 maiores de idade detidos durante a ocupação na Câmara de Vereadores em agosto. Apesar de admitir dificuldade em individualizar a responsabilidade de cada suspeito, o delegado do caso, Hamilton Caviolla Filho, afirmou que imagens obtidas pelos investigadores comprovam a participação de todos nos crimes direta ou indiretamente. A defesa dos manifestantes nega qualquer ato criminoso.

O grupo ocupou o plenário da Câmara após uma passeata que reivindicava a instauração de uma CPI dos Transportes, além de passe livre e estatização do serviço no município. Na ocasião, a sessão ordinária foi interrompida e os manifestantes foram retirados à força, um a um, após o presidente do Legislativo acionar a tropa de choque da Polícia Militar. Houve depredação da tribuna, pichação de paredes, além de danos a mesas e cadeiras.
“Eles negam qualquer ato de vandalismo, eles negam que no plenário tivesse alguém mascarado, negam que tenham invadido a Câmara. Quer dizer, eles negam todo tipo de crime, mas as imagens falam por si só. Está tudo lá gravado. Estas 102 pessoas efetivamente participaram de todos aqueles atos, direta ou indiretamente, quebrando ou apoiando, incentivando. É por isso que vamos indiciar todos, é pelo entendimento de que foi um crime coletivo”, afirmou o delegado.
Caviolla já intimou todos os manifestantes e iniciou os depoimentos nesta terça-feira. Em dois dias, foram ouvidos seis suspeitos, entre eles, estudantes e servidores públicos. A estratégia da Polícia Civil será ouvir seis manifestantes por dia e a expectativa é que até o dia 1º de dezembro o inquérito seja relatado à Justiça. O indiciamento dos envolvidos ocorrerá à medida em que eles se apresentarem na delegacia. O critério para a ordem de intimação é a ordem alfabética.
Defesa
O advogado Vandré Paladini Ferreira, que pertence a um coletivo de defensores legais dos manifestantes, afirmou que nenhum dos detidos participou de ato criminoso na Câmara. Ele defendeu que o protesto foi legítimo, tinha uma pauta definida e que o desfecho só tomou as proporções porque os vereadores se recusaram a estabelecer um diálogo com o grupo.
“Ocorre que, quando eles chegaram à Câmara, os vereadores ao invés de iniciarem um diálogo, uma negociação com a população, eles se retiraram e se recusaram a iniciar um diálogo. Diante dessa atitude, eles resolveram ocupar o prédio público e pleitear o início de um diálogo com os vereadores”, afirmou.
Ferreira afirmou ainda, citando a atuação da PM no protesto, que não é possível imputar qualquer responsabilidade exclusivamente aos manifestantes antes de uma investigação aprofundada. “Quando você tem um conflito entre uma tropa de choque da Polícia Militar e um grupo de pessoas, você precisa investigar muito bem pra saber do resultado desse conflito quem foi que realmente quebrou alguma coisa”, defendeu.
A Câmara
A assessoria de imprensa da Câmara disse que a Casa não vai comentar a fala do advogado porque as imagens mostram que o presidente do Legislativo, Campos Filho (DEM), tentou estabelecer contato com o grupo. No dia do protesto, o democrata falou, por meio de autofalantes, que aceitaria receber as lideranças para conversar. O grupo solicitou em coro que ele fosse pessoalmente conversar com todos, mas o vereador se recusou e acionou a PM.

Fonte : G1

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